domingo, 23 de setembro de 2012

O dia que a gente se encontrar




Inevitavelmente, um dia teremos que nos encontrar e nos cumprimentar. Vai ser mais agradável e menos incômodo se sorrirmos e completarmos frases com pontos finais e pontuarmos com exclamações bem planejadas cada entusiasmo escolhido. Por um acaso, se percebermos que não será suficiente e um vácuo se formar entre nós, decidiremos então que cada um deve olhar para um lado e comentar sobre algo com o qual não estamos familiarizados. Com certeza estaremos com nossos corações ultrapassando batimentos cardíacos saudáveis e, se eu não desmaiar lá mesmo, você pode me abraçar um pouco e dizer que estava com saudade. Mas se caso ocorrer tudo bem e o desconforto estiver somente em nossas cabeças, vamos nos encontrar de novo e, quem sabe, esquecer aquele passado chato onde eu e você não nos importávamos em ser mais que somente amigos.

sábado, 15 de setembro de 2012

Pedido de desculpas


Minha garganta está doendo desde que aquelas palavras que eu não queria foram espirradas em cima de você. O vírus da minha estupidez se espalhou. Você está contaminado e, quem sabe, pode se curar se decidir fazer o tratamento. Desliga o ar condicionado em cima da sua cabeça e aprecia o sol enquanto é tempo, porque já vai chover. E mais tarde, ninguém vai saber, mas é lá que você vai encontrar a saúde. Tenta não me acordar, pois é aí que os sintomas aparecem. A pele fica pálida e o olhar mole; o rosto amarelado de tentar te convencer que você pegou essa doença também. Depois que passar sua febre e você vir me visitar pra ver se melhorei, vê se não esquece meu chocolate trufado e meu coração que eu coloquei numa caixa e tranquei. Se você não sabe onde está, desista. Esse vírus não vai sair do seu sistema enquanto você não me desculpar. Me desculpe. Não foi a minha intenção.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres


Quinhentas e muitas páginas. Foi essa a minha primeira informação sobre o livro Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, da série Millennium, escrita por Stieg Larsson. Sempre parti do princípio de que os livros são sempre oitocentas vezes melhores que os filmes, o que foi motivo suficiente para encarar o desafio.



Mikael Blomkvist é um jornalista econômico revolucionário e acionista da revista sueca Millennium. Ele é contratado por Henrik Vanger após ser condenado por difamação. Blomkvist abandona a revista e se muda para o interior da Suécia, para investigar o desaparecimento de Harriet Vanger, sobrinha de Henrik. Mikael tem a ajuda de Lisbeth Salander, uma garota misteriosa que domina muito bem as funções de um computador. Eles acabam se envolvendo de uma forma não prevista e, o que parecia ser um crime sem solução, se torna uma grande investigação que envolve segredos de família,sadismo e serial killers.

Arte por dididouli.

Em comparação a todos os outros que eu já li, a narrativa deste é extensa e densa, mas de um jeito ótimo. Sempre senti falta de uma história com mais detalhes, com pensamentos dos personagens, com sutilezas que nos revelam o que cada um realmente é. Gosto de conhecer tudo a fundo e poder dizer “Esse comportamento é a cara do personagem tal”. Esses detalhes deixam a gente por dentro da história e nos fazem sentir parte dela. “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” me satisfez completamente nesse sentido.

No começo, fiquei um pouco apreensiva com a narrativa e com o andamento da história. Por já conhecer o enredo, criei milhões de expectativas, como “quando vai acontecer tal coisa?”. O que me fez ficar frustrada, já que a parte investigativa e emocionante só começa depois da metade do livro. Até antes da metade, o recheio é composto por apresentações, explicações e grandes diálogos. Depois de terminar, percebi que, se esse início não existisse, faria muita falta.


Desde a vida de Lisbeth Salander, até a revelação do mistério, os homens que não amavam as mulheres estão por todo o livro. O dado que mais me assustou foi que, na Suécia, 92% das mulheres que sofreram violências sexuais após uma agressão não apresentaram queixa à polícia. Em geral, a história aborda os abusos às mulheres de vários ângulos, o que nos faz pensar no caso de uma maneira mais crítica.

Além disso, as questões morais e éticas no meio jornalístico também ficam em evidência. Mikael Blomkvist, como jornalista-modelo, tenta conciliar suas obrigações com a mídia e a vida privada dos envolvidos no mistério. Pra quem é estudante de jornalismo, assim como eu, fica uma grande reflexão sobre as consequências que uma informação perigosa pode causar na imprensa.

Pela primeira vez na vida me senti lendo um livro de “gente grande”. Até então eu só tinha lido histórias pré-adolescentes e outras obrigações escolares. Fiquei muito surpresa porque eu simplesmente amei o livro. Sem contar que o enredo te prende de uma maneira que dá vontade de ir até a Suécia para investigar junto com Mikael e Lisbeth.

Cena da adaptação americana do livro para o cinema.

Millennium é uma trilogia e “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” é o primeiro livro. Já teve duas adaptações para o cinema. A primeira é a versão sueca, de 2009, com Noomi Rapace como Lisbeth Salander e Michael Nyqvist como Mikael Blomkvist, dirigida por Niels Arden Oplev. Já a versão de 2011, norte-americana, conta com Rooney Mara e Daniel Craig (maravilhoso, aliás) como protagonistas, e foi dirigida pelo também maravilhoso David Fincher. Os outros dois livros também já tem adaptações para o cinema na Suécia.

Já deu pra sentir que o livro é sensacional, né? A leitura vale muito a pena! De cinco estrelinhas, dou seis.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Algumas maneiras de se guardar um segredo



O último capítulo da temporada de verão de Pretty Little Liars foi exibido ontem nos Estados Unidos. Como somos eficientes, já baixamos e já assistimos também, claro. Foi simplesmente sensacional. Uma pena eu ter descoberto as revelações antes pelos Trending Topics no Twitter hehe.

Mas não é exatamente disso que eu quero falar.

Li o primeiro livro da série Pretty Little Liars, chamado Maldosas. Peguei-o com muitas dúvidas se o que eu leria seria exatamente ou nada parecido com o que eu já tinha visto no seriado. Para a minha surpresa, era tão parecido, mas tão parecido, que tinha falas idênticas.



Sara Shepard pegou o universo batido do ensino médio e o transformou em plano de fundo para o desaparecimento de uma garota aparentemente inocente. A trama te envolve não apenas por isso, mas também pelo extenso e misterioso legado que Alison, a menina desaparecida, deixou.

No meio do emaranhado de segredos de Alison, quatro garotas que não passavam de suas marionetes, mas que eram mascaradas como amigas: Aria, Emily, Spencer e Hanna. Elas escondem muita coisa que apenas Ali sabia e, em meio a um turbilhão de acontecimentos em suas vidas, começam a ter seus segredos ameaçados por mensagens de texto, emails e bilhetes. Como se isso não bastasse, elas se vêem completamente atreladas ao passado quando a polícia da pequena cidade de Rosewood acha o corpo de Ali no quintal de sua antiga casa.

A escrita segue a linha de literatura juvenil que a gente já conhece e ama: fácil de ler, cada página dá vontade de ir para a próxima o mais rápido possível, frases objetivas, e poucos detalhes visuais, o que deixa a nossa imaginação ir aonde a gente quiser.

O livro conta bastante coisa da vida das meninas antes do desaparecimento de Alison. Dá pra perceber melhor qual era o relacionamento delas e porque elas a amavam tanto, mesmo ela sendo uma total bitch. As personalidades das liars são bastante aparentes: elas têm muito mais defeitos do que a gente imagina. E a “coisa com a Jenna” as incomoda muito mais do que parece no seriado.

Foi muito legal ter outra perspectiva e saber alguns detalhes que antes eu não tinha prestado atenção. Estava curiosa pra saber quantos capítulos do seriado cabem em um livro e, estranhamente, descobri que o primeiro livro corresponde ao primeiro capítulo. Acho que nos próximos a história deve andar mais rápido, quem sabe. Só sei que estou louca pra ler o próximo.

Maldosas é um livro interessante, misterioso e super fácil de ler. Eu sei que a espera pela volta da série em outubro vai ser muito sofrida, então pra quem não gosta de ficar longe dessas meninas e quiser investigar melhor quem pode estar no A Team, recomendo muito a leitura da série. :)

Classificação: 5 estrelinhas.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Não sou eu, é você

Sabe aquela frase de fim de relacionamento “Não é você, sou eu”? Então, tá tudo errado. É você sim. E esse é exatamente o nome do último álbum da Lily Allen, It’s Not Me, It’s You. Lançado em 2009, teve cinco singles e foi o segundo álbum de estúdio da cantora britânica.


O álbum é tudo o que a gente pensa, só que em forma de música. Everyone’s At It, a primeira faixa, abre o CD com um protesto: todo mundo tem culpa em alguma coisa. É sobre como o mundo está e como reagimos diante de todas as coisas ruins que nós mesmos causamos. Em The Fear, o primeiro single, Lily se coloca no nosso lugar e nos critica por sermos tão materialistas e superficiais. “I am a weapon of massive consumption / It’s not my fault / It’s how I’m programmed to function”.

22, que foi trilha sonora de novela (ugh!), conta a história de uma garota com seus quase 30 anos que passa por uma crise de idade. A palavra “sociedade” é usada com tanto desprezo que fica difícil admitir que fazemos parte dela. “It’s sad, but it’s true / How society says / Her life is already over”.

Em Back To The Start, Lily pede desculpas por ter jogado toda a culpa em cima do mundo. “Believe me when I say that I cannot apologize enough”. Ela tenta soar convincente, mas no contexto do álbum, ela se torna mais uma música super irônica.


Fuck You é incrível. É a minha preferida. Lily Allen manda todo mundo que tem mente pequena ir se f*der. “There’s a hole where your soul should be / You’re losing control of it / And it’s really distasteful”.

Prestes a chegar ao final, o álbum nos traz duas músicas fofinhas: Who’d Have Known e Chinese. Aqui só tem uma Lily super fofa mostrando que no coração dela também tem amor. Him é um questionamento sobre a existência de Deus e sobre o que ele pensa de nós quando nos observa. É realmente uma música para se pensar. A última faixa, He Wasn’t There, escrita para o pai de Lily, é sobre não desistir das pessoas.


It’s Not Me, It’s You é um álbum incrível. Lily Allen faz uma crítica à sociedade de consumo de forma sarcástica e inteligente e nos coloca dúvidas sobre a existência de alguma lógica no modo como estamos vivendo. Sua voz macia torna todas as suas críticas em um grande eufemismo para a frase “Acho que estamos fazendo alguma coisa errada”. E mesmo com tudo isso acontecendo, ela fecha o álbum com um recado:

“Eu sou tão agradecida, eu nunca desisti dele
Oh bem, você não acreditaria em algumas coisas que ele fez
E todos disseram: Você tem que dar a ele algum tempo
E eu estou feliz que dei, pois agora está tudo bem”

Obs: Meu amigo Pedro lindo que me fez lembrar desse CD. <3

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Todas as coisas que mudam depois de duas décadas



A mente pensa como criança, quando pensa. O corpo age de forma estranha e muda toda vez que fica cansado quando sobe um morro. O cabelo muda de cor quimicamente antes mesmo de começar a mudar naturalmente. Os gostos são os mesmos de um dia para o outro, mas, em vinte anos, eles são completamente diferentes. As preferências são outras quando o assunto é a felicidade. As responsabilidades aumentam com os outros e diminuem consigo mesmo. O olhar entristece a cada segundo que passa e ao mesmo tempo brilha por saber que já se viveu muito. A percepção de tempo é diferente quando duas décadas se passam. A maioria das coisas agora parece ter explicação. As que nunca tiveram, não precisam ser explicadas. É estranho dizer que já se viveu muito; é mais estranho ainda dizer que já se viveu pouco. É difícil de acreditar que há cinco anos não se imaginava onde estaria. E agora está aqui. Não dá pra saber se é felicidade, incerteza ou só a vida mesmo. Não dá pra saber o que se está fazendo nesse mundo. Não dá pra saber nem se existe mesmo algum propósito. Só dá pra saber que todas essas coisas mudam depois de duas décadas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Antes de começar a ler este post, você precisa ter em mente que:

1) Não sou fã do Batman e estou muito longe de ser.
2) Por causa do item 1, não acompanho a história, nem os filmes, nem a vida do Batman, por isso, não sou especialista em batmanzisses.
3) Eu não pegaria o Christian Bale.

Sabendo disso, venho através deste blog maravilhoso dar a minha humilde e sincera opinião sobre Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Achei másculo.


O filme começa um tanto confuso. Eu, na minha leiga existência, olhei para os lados durante os primeiros 20 minutos tentando lembrar como é que tinha terminado o último filme e o que ia ser da minha vida ao perceber que Heath Coringa Ledger estava morto feat enterrado e não daria o ar da sua graça na telona. Após o momento nostalgia, lembrei que a querida e linda Anne Hathaway era a Mulher Gato, o que não ajudou muito, visto que eu não sabia se ela ajudaria ou atrapalharia os planos do nosso homem-morcego.

Depois de pegar o espírito da coisa e entender o que estava acontecendo, comecei a gostar do filme. Enquanto Bane, o vilão, se tornava uma ameaça para a, até então, pacífica Gotham City, Christian Bale colocou o figurino de Batman, montou em sua batmoto, fez um batcarão e pegou a Marion Cotillard. Enquanto isso, Catwoman deu seus pulo e o ajudou a derrotar o vilão, de quebra deu uns pegas nele e pilotou a batmoto! Miau!

Tá ladra, tá assassina, tá Catwoman.

O melhor do filme com certeza é a Anne Hathaway. Ela, que passou a vida inteira fazendo comédia romântica, teve a oportunidade de fazer uma personagem tão marcante e icônica e se saiu extremamente bem. Christian Bale continua sendo o Christian Bale (o que é ótimo), apenas com a diferença que ele veste uma roupa de Batman e modifica a voz na hora que tá dando porrada. Mas além disso, tem o Morgan Freeman, tem o cara do 500 Dias Com Ela (vai falar que você não se refere a ele assim também?), tem a morte da Marion Cotillard que virou meme no Tumblr...

Como costumo dizer, não saí triste do cinema. Adorei as piadinhas, adorei a contagem regressiva que durou mais do que devia durar, adorei a cara de perplexa da minha amiga descobrindo a verdadeira identidade do Joseph Gordon Levitt.

The Dark Knight Rises é excelente, mas não chega perto de ser emocionante como The Dark Knight. Lembro que na época em que assisti, fiquei tão maravilhada que comecei até a gostar um pouquinho do Batman. Mas o encanto acabou com esse novo filme. O Batman voltou a ser só mais um super herói pra mim.

Classificação: 4 estrelinhas.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Imagine Dragons



Imagine Dragons surgiu em 2009, em Las Vegas, e lançou seu primeiro EP homônimo neste mesmo ano. Outros três EPs foram lançados desde 2010 e, em setembro, teremos Night Visions, o CD de estreia da banda. Aproveitando a deixa de que eles foram indicados na categoria Melhor Vídeo de Rock no Video Music Awards 2012, com o single It’s Time, resolvi falar do EP Continued Silence, lançado em fevereiro deste ano.


A primeira música que ouvi deles foi Radioactive, que me ganhou logo de cara. Quem me conhece sabe que eu sou chata quando escuto uma música pela primeira vez. Falo que não gostei, passa um tempo e depois ela é a mais executada da semana no meu Last.fm. Mas com Radioactive foi diferente. A música é forte, tem uma batida bem marcada e faz a mistura que eu mais amo no universo pop: violão, indie rock e batidas emprestadas do dubstep. Falando assim, parece que é uma mistura que não dá certo, mas deu perfeita e magnificamente certo com Imagine Dragons.

Demons, a segunda faixa, é incrível. A letra é sincera e marcante. On Top Of The World me lembra um pouco o som do Owl City. It’s Time faz jus ao quão legal é a banda e pode ser ouvida no trailer do filme The Perks Of Being a Wallflower (que, aliás, quero muito assistir, ainda mais depois de ter Imagine Dragons como trilha sonora).

Estava com saudade de descobrir uma banda tão legal como essa. (Aliás, quem me indicou foi o Hugo, pessoa responsável por indicar 99% das músicas que eu escuto, bjs) Sem contar que o nome "Imagine dragões" é, tipo, super mega master explode cool. Vale a pena escutar o EP e votar neles no site do VMA: http://www.mtv.com/ontv/vma/2012/best-rock-video/.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Síndrome de "Meia Noite Em Paris"


No site do Estadão:





Costumo ver por aí muita gente reclamando e dizendo que vivemos num mundo onde tudo é comercial e nada mais tem sensibilidade artística. Essa mesma galera diz que as músicas, filmes e artes em geral do passado eram melhores e mais sensíveis do que as atuais.

Ano passado, Woody Allen lançou um filme incrível, Meia Noite Em Paris, que trata exatamente desse tema. A partir daí surgiu o que eu gosto de chamar de Síndrome de Meia Noite Em Paris, que acontece quando a pessoa acha que uma época do passado foi melhor que a que estamos vivendo. Com uma ironia bem sutil e atores incríveis, Woody Allen conseguiu mostrar o que eu sempre concordei e defendi: cada época tem seu valor.

Quem disse que, no futuro, não vão aclamar nossa arte e dizer que o início do século XXI foi simplesmente brilhante? Quem foi que definiu o que é arte e disse que aquilo é melhor do que isto? Quem é especialista o suficiente pra dizer o quanto de sensibilidade um artista precisou para criar sua arte?

A notícia é sensacionalista. Nenhum cientista espanhol andou falando que a música atual é chata. Os espanhóis apenas disseram que “Em média, uma canção atual utiliza as mesmas notas e acordes que uma dos anos 60, apesar de as transições entre acordes serem um pouco mais simples”.

Os gostos mudam, a cultura muda. E se hoje preferimos ouvir músicas com estas características, que seja! Isso é o que nos define. Nós gostamos de ouvir músicas com transições simples entre acordes e isso não quer dizer que gostamos de ouvir música chata. O que é chato pra você pode ser extremamente legal pra mim. E vice-versa.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Overexposed, o novo CD do Maroon 5


Desde que virou jurado do reality show musical The Voice, Adam Levine não perdeu tempo e chamou seus colegas de banda para gravar músicas e usar o sucesso do programa como divulgação. Depois do morno Hands All Over, álbum lançado em julho de 2011, o Maroon 5 emplacou o hit Moves Like Jagger, em parceria com Christina Aguilera, também jurada do The Voice.

O estrondo que Moves Like Jagger causou foi tão grande, que os produtores musicais e a própria banda não puderam deixar esse sucesso passar e correram para lançar o Overexposed no final de junho deste ano. Payphone, carro-chefe do álbum, ainda não me convenceu, mesmo estando há 14 semanas no Hot 100 da Billboard, atualmente em segundo lugar. Mesmo desacreditada com o primeiro single, fui escutar o álbum todo e constatei o que eu já esperava: Overexposed é um álbum genérico.

One More Night, segundo single, é muito mais interessante e divertida que Payphone, talvez por ter sido produzida pelos hitmakers Max Martin e Shellback. Lucky Strike, produzida pelo igualmente genial Ryan Tedder, ganha pontos por ser animada e chiclete. Wipe Your Eyes também é ótima, uma pena ser apenas uma faixa bônus na versão deluxe do CD.

Uma ou duas baladas, três faixas como promessa de ser hit e as outras com cara de “música de emergência”, ou seja, aquela música que tá ali só pra preencher espaço. Pra finalizar, Max Martin como produtor executivo, tentando colocar batidas chiclete entre um “oh yeah” e um “whoa”. E assim foi feito o novo álbum do Maroon 5, que ficou com cara de que foi gravado e produzido na correria, com uma péssima escolha de músicas e, que eu espero, não tenha a mesma péssima escolha de singles.

Classificação: 3 estrelinhas.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O melhor jeito de se despedir



Tudo é tão seco e limitado. Tudo tem tempo, tudo se esgota. O infinito é bonito porque eles rimam. Eles combinam. Mas eles se excluem.

Quis tanto que não acabasse, e acabou mais rápido do que eu esperava. Quando eu quis que durasse pouco, durou muito mais que uma montanha na estrada.

E falar de montanha que dura muito, é sem pretensão. Pois a montanha muda com o vento, com a água, com o tempo. Só não muda o modo como eu olho pra ela. Ela só finge que continua a mesma e vive assim pra sempre. Ela é infinita.

Eu sou cheia de começos, de meios e de fins. Começo de histeria, meio de história interrompida e fim de querer que tudo mude sem mudar. E se o fim é pra ser bom, que eu entenda que foi bom. E se foi ruim, que eu não destrua o que eu aprendi.

Mais um que chega ao fim. Sem se despedir, sem dar satisfação, só olhou e disse “até mais”. Isso é uma despedida que se preze? Eu faria diferente. O fim é feio. O fim sem despedida é horroroso.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Oh, Spidey...



A gente ficou muito tempo com saudade do Homem Aranha e sentiu falta da cidade de Nova York enfeitada com suas teias atiradas de seu pulso pra salvar os inocentes cidadãos nova-iorquinos. E no longínquo ano de 2010, eis que surgiram especulações de um novo filme com o super herói que tem o collant mais apertado de todos. Assim que o filme foi confirmado, nossa paixão pelo Spider Man renasceu em nossos corações e a gente teve que passar por uma longa e sofrida espera, com trailers, cartazes, banners, teasers, fotos de gravações... Foi difícil, mas a espera acabou.

Estava na fila do cinema já sabendo que o filme ia ter uma abordagem mais pré-adolescente e, quando peguei o folheto de divulgação do cinema, tive certeza que a quantidade de sangue falso gasto pra fazer o filme foi abaixo dos 500 mililitros: a classificação etária era de 10 anos. Senti que havia alguma coisa de infantil pairando no ar quando um garotinho de 11 ou 12 anos chegou na fila dizendo que o Hulk parecia um mendigo e o Thor parecia uma menina. “Quero só ver esse tal de Homem Aranha”.

Eu pensei que ia superar o fato de o par romântico não ser mais a Mary Jane por ser a linda da Emma Stone que estava interpretando a Gwen Stacy, mas tinha algo errado. A história parecia estar errada. Eu só queria gritar: I want Mary Jane back! Tudo corria bem no filme até o Dr. Connors virar um super lagarto vilão que queria matar todo mundo sem nenhum motivo, aparentemente. E aí tudo ficou sem sentido, mas o Homem Aranha salvou todo mundo assim mesmo.

Costumo dizer que o importante é se divertir quando a gente vai ao cinema. O Espetacular Homem Aranha é um filme divertido. Peter Parker continua nerd, continua sem jeito com garotas, continua sendo um loser que ganha super poderes e vira “o” cara. Dei muita risada, adorei as piadinhas irônicas e, principalmente, adorei o Andrew Garfield. (Nesse momento, Tobey Maguire chora).

O que esperar de um filme com título que parece manchete de jornal sensacionalista da banca do tio da esquina? Amorzinho adolescente, liçãozinha de moral no final e muitos efeitos 3D. O Espetacular Homem Aranha merece 3 estrelinhas por ser legal, e não espetacular.

(OBS: o título em inglês é muito mais legal, sdds história em quadrinhos)

domingo, 1 de julho de 2012

Tira essa ideia da cabeça




É difícil falar
Quando todos estão olhando
Parecem armas esses olhos
E essas conversas me assustam

Finge que eu estou leve
Que mais tarde eu faço um café
Não tenho problema em pegar uma xícara
Desde que você diga que não se importa

Se sou rígida, ríspida
Ou qualquer palavrinha proparoxítona
Difícil de pronunciar
Tira essa ideia da cabeça

Sou só uma pena
Que você sopra
Sopra de novo
E ela não sai do lugar

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que eu fiz com a pedra que tinha no meio do caminho



Tinha uma pedra. Sim, no meio do meu caminho. E eu, desastrada e distraída, tropecei.

Ralei o joelho. Doeu. Sangrou. Passei o dedo e ardeu. Olhei para o sangue no chão. Cheguei pertinho. Vi-me refletida de vermelho e vinho, coagulando a minha imagem enquanto a pedra ria da minha miséria.

Falei baixo para ela “Não doeu tanto assim”. Mas era uma pedra especial, que lia pensamentos. E ela me disse, sarcástica e feia “Eu sei que doeu”.

A pedra e eu em um discurso chato, onde ela insistia que era eu que tinha entrado no caminho dela. “Mas pedra não tem caminho, a pedra é o caminho”, argumentei enquanto ela estremecia ao me ver tão de perto.

“Continua a andar, tola”, ela repetia como se quisesse me tirar dali depressa. “Claro, claro”. Levantei-me rápido. Tirei a poeira dos joelhos e continuei a caminhada. Tinha uma pedra no meio do caminho. Aí eu a chutei para o cantinho e continuei a andar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Talvez ela fosse louca



De tanto estar errada, acabou estando certa. Porque para ela, não parecia diferente nem estranho, mas para outros era, e muito.

Sem arrependimentos, foi lá e fez de novo. E de novo. E de novo. Depois que descobriu que era errado, fez pela última vez para ter certeza.

Fora daquele mundo onde sua existência era estranha, ela pôde observar como certos e errados entram em conflito sem nem mesmo saber que aquilo é só um ponto de vista.

Para que não soubessem que discordava de tudo, jogou fora fotos, registros e avisos. Mas só por uma semana. Porque na outra, ela partiu depois que arrumou suas coisas dentro de uma mala onde mal cabiam seu coração e os tentáculos de sua memória.

Deixou tudo pra trás, inclusive os certos, os errados e os estranhos. Senso comum nunca a atraiu. E era para longe dali que ela arrastava suas coisas.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Aviso


Acorda. Arruma a cama. Leva o lixo pra fora. Faz o café. Toma o café. Lava a xícara. Põe a preguiça de lado. Toma um banho. Lava o rosto. Tira a sujeira. Limpa a decepção. Ensaboa o coração. Enxuga tudo. Muda de roupa. Penteia o cabelo. Escova os dentes. Coloca um sorriso. Esquece a chave. Volta pra buscar a chave. E busca também aquela sua pasta cheia de elogios. Bate a porta. Cobre a cabeça. Está chovendo. Reclama um pouquinho. Espera debaixo da marquise. Vê a vitrine da loja. Pensa que quer aquela calça. E depois desiste. Anda debaixo da chuva. Esquece que queria a calça. Pega o dinheiro no bolso. Entra dentro do ônibus. Deixa a moedinha cair. Deixa ela lá, ela não vai fazer falta mesmo. Dá licença para o senhor sentar. Ele precisa mais do que você. Faz o que você tem que fazer. Fica cansado. Volta pra casa tarde. Liga a tevê. Desiste de ligar a tevê. Bebe água. Vai dormir. Depois se lembra daquela calça. Depois se lembra da pasta de elogios que voltou vazia. Depois se lembra do sorriso que você colocou e se esqueceu de tirar. Depois pega no sono. Acorda.

domingo, 10 de junho de 2012

O sol e o céu


Eu gosto do sol. Não gosto da nuvem. Nem do inverno. Nem da chuva. Eu gosto do calor.

Pisei no concreto da rua sem esperar alguma coisa, mas era o sol que, mesmo fraquinho, me fez agradecer por estar ali comigo.

As nuvens estavam lá, vilãs daquele dia que podia ser bonito. Querendo acabar com o calor do sol e com o meu calor também. Ameacei a tirar o casaco e o sol fugiu. Ou será que as nuvens que, brincando de pega-pega, resolveram aprisioná-lo? A brincadeira começou a ficar legal de novo, porque o sol me disse: “Está na hora de tirar o casaco”.

Molhei a sola do sapato com a poça d'água formada no dia anterior. O sol prontamente se ofereceu: “Não se preocupe. Eu seco pra você”.

O vento atrapalhou meu cabelo e meu vestido enroscou na minha perna. Percebi que algo estava errado. De longe, olhei para o céu que estava triste de novo, sem seu amigo sol e com as nuvens invejosas que, do seu lado, bradavam: "Se não for agora, vai ser depois".

Tristonho, o sol saiu de cena e deixou o céu. Me deixou.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A garota que descobriu que a lua era amarela

A lua estava amarela
Mas astrônomos disseram que ela é azul
Seus olhos só conseguiam ver a cor amarela
Ela confiava nos seus olhos

Sem sentido algum partiu dali
Com seu barco azul como a falsa lua
Seus cabelos voaram
Depois do vento que tomou sua vida

E longe
Muito longe
Já com seu barco azul milhas e milhas distantes de uma tempestade
Bateu com a ponta de um ice berg
Mas foi só um sonho ruim

Onde já se viu
Garota de cabelos esvoaçantes
E barco azul como a lua
Sonhar que seu barco era um navio?
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