quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que eu fiz com a pedra que tinha no meio do caminho



Tinha uma pedra. Sim, no meio do meu caminho. E eu, desastrada e distraída, tropecei.

Ralei o joelho. Doeu. Sangrou. Passei o dedo e ardeu. Olhei para o sangue no chão. Cheguei pertinho. Vi-me refletida de vermelho e vinho, coagulando a minha imagem enquanto a pedra ria da minha miséria.

Falei baixo para ela “Não doeu tanto assim”. Mas era uma pedra especial, que lia pensamentos. E ela me disse, sarcástica e feia “Eu sei que doeu”.

A pedra e eu em um discurso chato, onde ela insistia que era eu que tinha entrado no caminho dela. “Mas pedra não tem caminho, a pedra é o caminho”, argumentei enquanto ela estremecia ao me ver tão de perto.

“Continua a andar, tola”, ela repetia como se quisesse me tirar dali depressa. “Claro, claro”. Levantei-me rápido. Tirei a poeira dos joelhos e continuei a caminhada. Tinha uma pedra no meio do caminho. Aí eu a chutei para o cantinho e continuei a andar.

3 comentários:

  1. Bem legal a abordagem Érika! Pode ser que nossos problemas também nos temam, e não só nós a eles.

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  2. Amei o texto e a pedra especial que lê pensamentos! Seu blogle tá sensacional e sexy! E chuta essa pedra!

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  3. Adorei o texto érika! Sério mesmo! Super Hellu!

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