quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Não sou eu, é você

Sabe aquela frase de fim de relacionamento “Não é você, sou eu”? Então, tá tudo errado. É você sim. E esse é exatamente o nome do último álbum da Lily Allen, It’s Not Me, It’s You. Lançado em 2009, teve cinco singles e foi o segundo álbum de estúdio da cantora britânica.


O álbum é tudo o que a gente pensa, só que em forma de música. Everyone’s At It, a primeira faixa, abre o CD com um protesto: todo mundo tem culpa em alguma coisa. É sobre como o mundo está e como reagimos diante de todas as coisas ruins que nós mesmos causamos. Em The Fear, o primeiro single, Lily se coloca no nosso lugar e nos critica por sermos tão materialistas e superficiais. “I am a weapon of massive consumption / It’s not my fault / It’s how I’m programmed to function”.

22, que foi trilha sonora de novela (ugh!), conta a história de uma garota com seus quase 30 anos que passa por uma crise de idade. A palavra “sociedade” é usada com tanto desprezo que fica difícil admitir que fazemos parte dela. “It’s sad, but it’s true / How society says / Her life is already over”.

Em Back To The Start, Lily pede desculpas por ter jogado toda a culpa em cima do mundo. “Believe me when I say that I cannot apologize enough”. Ela tenta soar convincente, mas no contexto do álbum, ela se torna mais uma música super irônica.


Fuck You é incrível. É a minha preferida. Lily Allen manda todo mundo que tem mente pequena ir se f*der. “There’s a hole where your soul should be / You’re losing control of it / And it’s really distasteful”.

Prestes a chegar ao final, o álbum nos traz duas músicas fofinhas: Who’d Have Known e Chinese. Aqui só tem uma Lily super fofa mostrando que no coração dela também tem amor. Him é um questionamento sobre a existência de Deus e sobre o que ele pensa de nós quando nos observa. É realmente uma música para se pensar. A última faixa, He Wasn’t There, escrita para o pai de Lily, é sobre não desistir das pessoas.


It’s Not Me, It’s You é um álbum incrível. Lily Allen faz uma crítica à sociedade de consumo de forma sarcástica e inteligente e nos coloca dúvidas sobre a existência de alguma lógica no modo como estamos vivendo. Sua voz macia torna todas as suas críticas em um grande eufemismo para a frase “Acho que estamos fazendo alguma coisa errada”. E mesmo com tudo isso acontecendo, ela fecha o álbum com um recado:

“Eu sou tão agradecida, eu nunca desisti dele
Oh bem, você não acreditaria em algumas coisas que ele fez
E todos disseram: Você tem que dar a ele algum tempo
E eu estou feliz que dei, pois agora está tudo bem”

Obs: Meu amigo Pedro lindo que me fez lembrar desse CD. <3

4 comentários:

  1. Comentei aqui ontem mas não apareceu... estranho. Mas só passei pra dizer que esse álbum é um daqueles que você ouve do início ao fim sem pular nenhuma música e ainda coloca pra repetir. Adoro a letra de Kabul Shit, aquela intro de Back To The Start, e 22 inclusive fiz um texto inspirado na música. Lily Allen é genial e estou super ansioso pra volta dela. Maravilhoso o texto!

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    1. É um dos poucos CDs que não dá vontade de pular nenhuma música. Tô louca pelo novo álbum dela! *-*

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  2. Obrigado por me apresentar a Lily Allen, que até então me era desconhecida. Até que não é ruim.

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  3. Kits, muito legal o post!
    Nunca tinha parado para prestar atenção nesse CD dela.
    Parabéns!

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