domingo, 23 de setembro de 2012

O dia que a gente se encontrar




Inevitavelmente, um dia teremos que nos encontrar e nos cumprimentar. Vai ser mais agradável e menos incômodo se sorrirmos e completarmos frases com pontos finais e pontuarmos com exclamações bem planejadas cada entusiasmo escolhido. Por um acaso, se percebermos que não será suficiente e um vácuo se formar entre nós, decidiremos então que cada um deve olhar para um lado e comentar sobre algo com o qual não estamos familiarizados. Com certeza estaremos com nossos corações ultrapassando batimentos cardíacos saudáveis e, se eu não desmaiar lá mesmo, você pode me abraçar um pouco e dizer que estava com saudade. Mas se caso ocorrer tudo bem e o desconforto estiver somente em nossas cabeças, vamos nos encontrar de novo e, quem sabe, esquecer aquele passado chato onde eu e você não nos importávamos em ser mais que somente amigos.

sábado, 15 de setembro de 2012

Pedido de desculpas


Minha garganta está doendo desde que aquelas palavras que eu não queria foram espirradas em cima de você. O vírus da minha estupidez se espalhou. Você está contaminado e, quem sabe, pode se curar se decidir fazer o tratamento. Desliga o ar condicionado em cima da sua cabeça e aprecia o sol enquanto é tempo, porque já vai chover. E mais tarde, ninguém vai saber, mas é lá que você vai encontrar a saúde. Tenta não me acordar, pois é aí que os sintomas aparecem. A pele fica pálida e o olhar mole; o rosto amarelado de tentar te convencer que você pegou essa doença também. Depois que passar sua febre e você vir me visitar pra ver se melhorei, vê se não esquece meu chocolate trufado e meu coração que eu coloquei numa caixa e tranquei. Se você não sabe onde está, desista. Esse vírus não vai sair do seu sistema enquanto você não me desculpar. Me desculpe. Não foi a minha intenção.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres


Quinhentas e muitas páginas. Foi essa a minha primeira informação sobre o livro Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, da série Millennium, escrita por Stieg Larsson. Sempre parti do princípio de que os livros são sempre oitocentas vezes melhores que os filmes, o que foi motivo suficiente para encarar o desafio.



Mikael Blomkvist é um jornalista econômico revolucionário e acionista da revista sueca Millennium. Ele é contratado por Henrik Vanger após ser condenado por difamação. Blomkvist abandona a revista e se muda para o interior da Suécia, para investigar o desaparecimento de Harriet Vanger, sobrinha de Henrik. Mikael tem a ajuda de Lisbeth Salander, uma garota misteriosa que domina muito bem as funções de um computador. Eles acabam se envolvendo de uma forma não prevista e, o que parecia ser um crime sem solução, se torna uma grande investigação que envolve segredos de família,sadismo e serial killers.

Arte por dididouli.

Em comparação a todos os outros que eu já li, a narrativa deste é extensa e densa, mas de um jeito ótimo. Sempre senti falta de uma história com mais detalhes, com pensamentos dos personagens, com sutilezas que nos revelam o que cada um realmente é. Gosto de conhecer tudo a fundo e poder dizer “Esse comportamento é a cara do personagem tal”. Esses detalhes deixam a gente por dentro da história e nos fazem sentir parte dela. “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” me satisfez completamente nesse sentido.

No começo, fiquei um pouco apreensiva com a narrativa e com o andamento da história. Por já conhecer o enredo, criei milhões de expectativas, como “quando vai acontecer tal coisa?”. O que me fez ficar frustrada, já que a parte investigativa e emocionante só começa depois da metade do livro. Até antes da metade, o recheio é composto por apresentações, explicações e grandes diálogos. Depois de terminar, percebi que, se esse início não existisse, faria muita falta.


Desde a vida de Lisbeth Salander, até a revelação do mistério, os homens que não amavam as mulheres estão por todo o livro. O dado que mais me assustou foi que, na Suécia, 92% das mulheres que sofreram violências sexuais após uma agressão não apresentaram queixa à polícia. Em geral, a história aborda os abusos às mulheres de vários ângulos, o que nos faz pensar no caso de uma maneira mais crítica.

Além disso, as questões morais e éticas no meio jornalístico também ficam em evidência. Mikael Blomkvist, como jornalista-modelo, tenta conciliar suas obrigações com a mídia e a vida privada dos envolvidos no mistério. Pra quem é estudante de jornalismo, assim como eu, fica uma grande reflexão sobre as consequências que uma informação perigosa pode causar na imprensa.

Pela primeira vez na vida me senti lendo um livro de “gente grande”. Até então eu só tinha lido histórias pré-adolescentes e outras obrigações escolares. Fiquei muito surpresa porque eu simplesmente amei o livro. Sem contar que o enredo te prende de uma maneira que dá vontade de ir até a Suécia para investigar junto com Mikael e Lisbeth.

Cena da adaptação americana do livro para o cinema.

Millennium é uma trilogia e “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” é o primeiro livro. Já teve duas adaptações para o cinema. A primeira é a versão sueca, de 2009, com Noomi Rapace como Lisbeth Salander e Michael Nyqvist como Mikael Blomkvist, dirigida por Niels Arden Oplev. Já a versão de 2011, norte-americana, conta com Rooney Mara e Daniel Craig (maravilhoso, aliás) como protagonistas, e foi dirigida pelo também maravilhoso David Fincher. Os outros dois livros também já tem adaptações para o cinema na Suécia.

Já deu pra sentir que o livro é sensacional, né? A leitura vale muito a pena! De cinco estrelinhas, dou seis.
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